Sente-se, vou servir um café ou prefere um whisky? Vamos conversar sobre a teoria quântica dos sentimentos e a filosofia que adorna a paixão, despertando desejos que ninguém ousa confessar. Não tenha pressa. O tempo aqui é elástico, dobra-se sobre si mesmo, distorce-se entre o que foi dito e o que jamais poderá ser pronunciado. Há segredos que não cabem na linguagem, porque palavras são traiçoeiras – elas não apenas revelam, mas deformam. E o que eu tenho para dizer não pode ser deformado.
Você já sentiu algo tão profundo que a simples ideia de expressá-lo o fazia tremer? Já segurou um pensamento proibido entre os dentes, temendo que ele escapasse em um suspiro descuidado? Não estou falando de amores comuns ou culpas banais. Estou falando daquilo que se aninha no peito como uma serpente silenciosa, enrolando-se em torno do seu próprio nome, sussurrando verdades que ninguém deve ouvir.
Há sentimentos que vivem na clandestinidade da alma, exilados por uma lógica cruel e arbitrária. Sentimentos que, se revelados, destruiriam certezas, desorganizariam a harmonia forjada com tanto esforço. Você já olhou nos olhos de alguém e percebeu que, se dissesse o que realmente queria, o mundo desmoronaria? Que uma confissão simples seria como um incêndio voraz consumindo pontes e atalhos, deixando apenas cinzas e espanto?
Ironia das ironias: quanto mais se oculta, mais se torna evidente. O silêncio grita, o desvio de olhar denuncia, o riso fora de hora entrega. Os gestos tentam mascarar, mas a alma nunca aprendeu a mentir com perfeição. Engraçado, não é? O esforço para esconder só alimenta a curiosidade alheia. Mas este segredo... ah, este não pode ser descoberto. Porque ele não apenas perturba, ele reconfigura tudo.
E se alguém suspeitasse? E se, por um instante, alguém percebesse os sinais, ligasse os pontos, decifrasse o código? Há um risco calculado em cada palavra dita, um perigo latente em cada pausa. Será que o mistério seduz ou apavora? O que é mais tentador: saber a verdade ou permanecer na doce ilusão da ignorância?
Talvez, no fundo, todos carreguem algo assim – uma sombra, uma ausência, um nome jamais pronunciado. Algo que pesa nos ombros mesmo quando se tenta esquecê-lo. Mas e você? O que está escondendo agora? O que evitaria dizer, mesmo que o mundo estivesse à beira do colapso?
Não precisa responder. Apenas beba seu café... ou seu whisky. E finja, como eu, que este segredo nunca existiu.